Entrevista exclusiva com Luiza Possi sobre a retirada do glúten na sua dieta.

Hoje percebemos que muitas pessoas optam por retirar o glúten da dieta por diversos motivos. No meu caso, em particular, não foi uma opção e sim uma condição, imposta pela doença celíaca (DC). Sabemos que, a cada dia, se torna mais comum, a retirada do glúten, e o maior número de diagnósticos são os SGNC (sensíveis ao glúten não celíacos). Geralmente essas pessoas têm sintomas parecidos ou iguais aos celíacos, mas não possuem a DC (atrofia das vilosidades do intestino delgado, onde são absorvidos os nutrientes).

Em outros casos, a opção de retirada do glúten acontece por algum problema crônico de saúde, que melhora muito com a dieta. Exemplos são: enxaqueca, má digestão, gases, inchaço abdominal, entre muitos outros.

O fato é que cada vez mais tenho visto que a grande massa adepta a dieta restritiva ao glúten, faz isso por opção, seja por recomendação médica ou até pela busca da perda de peso e qualidade de vida.

Enfim, o que não podemos esquecer, e isso falo como celíaca, é que a indústria “sem glúten” vem aumentando a cada dia, e graças a demanda de consumidores, temos um leque bem grande de opções. Respeito demais quem opta por uma dieta sem glúten, mas não deixo de alertar a importância de fazer isso com acompanhamento médico e nutricional. Para realizar os exames de investigação para DC ou SGNC é preciso que estejamos ingerindo glúten a longo prazo (meses no mínimo). Dessa forma, o médico pode fechar um diagnóstico preciso. Se depois dos exames, a conclusão seja positiva na retirada do glúten, faça isso com acompanhamento de profissionais competentes.

Chamando atenção para o “nicho de mercado” que as empresas querem muito atender hoje, vejo dificuldade na falta de informação. É diferente atender ao público que faz uso da dieta sem glúten, mas não é celíaco (seja por estética, para o auxílio de algum tratamento, etc). Esse público geralmente não necessita de cuidados com contaminação cruzada (isso é, cuidados no uso de temperos com glúten, ambiente que manipula glúten, uso dos mesmos utensílios e equipamentos que processam alimentos com glúten, etc), a lista de cuidados é grande e não quero cansá-los. 😉 Os celíacos sofrem fortes consequências por contaminação, isso faz reação em resposta autoimune do corpo com o próprio corpo, mesmo mantendo a dieta com todos os cuidados possíveis. Fora a resposta autoimune, existem diversas manifestações de contaminação, atingindo pele, sistema digestivo, entre outros. Junto a DC, sem cuidados, vem a associação de outras doenças. Por isso, precisamos da consciência, da constante informação e responsabilidade por parte das empresas que oferecem produtos sem glúten, ainda mais quando estamos em um pais onde não existe uma fiscalização para isso.

Observando a  mídia divulgando sobre a dieta de artistas, e se tratando da retirada do glúten, acabo ficando curiosa em saber o motivo de tal retirada. Eu acompanho e gosto muito da Luiza. Faz um tempo que estava querendo saber, se ela é celíaca ou sensível ao glúten. Gentilmente, ela nos responde a todas as dúvidas de maneira simpática e esclarecedora. Vamos ver?! 🙂

luiza

Entrevista

Li em alguns lugares que você é adepta a dieta sem glúten/sem lactose. Você é intolerante à lactose? Celíaca ou intolerante ao glúten? Quando e como descobriu?

Decidi cuidar de mim e procurei um endocrinologisita. Aí descobrimos que tenho dificuldade de digerir glúten e alguns produtos com lactose também me faziam mal. Na verdade só escutei o meu corpo. Um dia eu comia determinada coisa e me sentia inchada, no outro comia algo e meu intestino não funcionava. Aí cortei coisas que me faziam mal. Mas não que tenha intolerância.

 

Como foi a adaptação com a dieta? Sente ou sentiu alguma dificuldade?
No começo nunca é fácil adaptar. Eu não deixo de comer se estou com muita vontade. Um doce uma vez por semana, por exemplo. Eu cheguei a uma equação simples. O que eu vou sofrer menos: comer o que quero tendo um corpo a cada dia ou fazendo certas restrições e ter o corpo que quero? O que me fará menos triste? Sou a favor de estar gordinha e feliz, mas o corpo que eu estava era estranho prá mim.

 

As pessoas a sua volta, entendem as condições da dieta ou tacham como “frescura”? Principalmente quando se trata de comer na casa de amigos/familiares.

Eu tenho horror a ser ou parecer chata. Se vou a uma festinha de criança e tem hamburguinho ou cachorro quente, como o recheio e tiro o pão. Se tem bife e batata frita, por exemplo, como meio bife. Os amigos ficaram decepcionados porque sempre fui conhecida por comer muito, mas acho que entendem sem problemas.

 

Qual foi a principal mudança na sua saúde, além da perda de peso, após aderir à nova dieta?

Meu corpo é reflexo do que acontece dentro dele. A dieta foi muito mais pelo bem estar do que pela estética. Sempre fui atleta, fiz balé, natação. O principal de tudo foi me sentir mais saudável e disposta.

 

Quanto tempo você levou para adaptar seus hábitos alimentares? Qual foi o gatilho em sua vida para essa transformação?

O start foi mesmo buscar hábitos alimentares que me fizessem sentir mais disposta. A adaptação foi ótima, não levou muito tempo.

 

Com a correria, de que consistem seus lanches? Qual seu favorito?

Carrego comigo sempre uma “frasqueirinha” com muita fruta, maçã, banana, amêndoas, ou um bolinho sem glúten.

 

O que mais você atribuiu na sua rotina para a busca do bem-estar e equilíbrio?

Exercício. Muito. Sou muito disciplinada com a rotina dos exercícios e gosto de malhar. Adpato minha rotina de malhar onde estiver, até mesmo nos hotéis por onde passo nas turnês.

 

Que recado você gostaria de enviar as pessoas que descobriram recentemente intolerância/alergia ao glúten/lactose e passam por dificuldades, entre adaptação, manter uma dieta equilibrada e resistir a gula?

O recado que eu dou, seja para qualquer dieta ou intolerância que tenha, é escutar o seu corpo. Entender o que te faz bem, o que é melhor para sua rotina e sua disposição. Não tem uma regra. Sou a favor de estar gordinha e feliz, mas não era o meu caso.

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Fico muito feliz que tenham tantas pessoas se descobrindo, procurando respostas para melhorar a saúde, o bem estar, e principalmente buscando o equilíbrio em suas vidas. De quebra, os celíacos ganham com isso e o mercado glúten free cresce sem parar. Falta só aquela ajudinha com a informação aos cuidados nas preparações para celíacos. :))

 

Obrigada Luiza pelo carinho! <3

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